Ecologia

Habitats de reprodução

A Águia de Bonelli reproduz-se em Portugal em diversas tipologias de habitat. No Norte nidifica exclusivamente em rochedos das arribas fluviais e, em alguns casos, em cristas rochosas de relevos, em situações similares às que são características dos habitats de nidificação da bacia mediterrânica . Esta tipologia predomina igualmente na bacia internacional do Tejo, onde porém também ocorre nidificação arborícola (2 casais em árvore e 2 em rocha e árvore). Na Extremadura parte dos casais ocorrem em habitats rupicolas e outra parte nidifica em bosques densos. No Sul, a nidificação arborícola é maioritária, sendo actualmente a única tipologia existente no sudoeste serrano e nas planícies onduladas do Sudeste de habitat subestepário. A nidificação arborícola ocorre em árvores de grande porte, dominantes no seio de povoamentos florestais relativamente densos, ou em bosquetes e árvores isoladas, nomeadamente sobre sobreiro Quercus suber, pinheiro-bravo Pinus pinaster, pinheiro radiata Pinus radiata e eucaliptos Eucalyptus globulus e E. rostrata. Os ninhos em eucalipto são os que se situam a maior altura, maioritariamente entre 25 e 28 m de altura.

Dieta

A Águia de Bonelli alimenta-se de uma grande variedade de presas de médio e pequeno porte, sobretudo aves, mas a sua dieta centra-se em algumas presas básicas de médio porte, mais abundantes. No sudoeste serrano 82,3% da dieta é constituída por apenas 4 espécies: em primeiro lugar o pombo doméstico (39,2%), seguido do coelho Oryctolagus cuniculus (18,4%), perdiz Alectoris rufa (17,2%) e gaio Garrulus glandarius (7,5%). Os restantes 17,7% repartem-se por 27 espécies de tamanho variável entre o do pintassilgo Carduelis carduelis e o da garça real Ardea cinerea. Ressalta a grande importância do pombo doméstico rural na dieta como compensação de uma relativa escassez das presas selvagens tradicionais, como o coelho e a perdiz. Em territórios em que as presas básicas escasseiam, por exemplo onde uma elevada percentagem do terreno está ocupado por eucaliptais, o espectro alimentar expande-se consideravelmente em resposta.